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Benvindos Budens - Vila do Bispo

História

Segundo o Dicionário infopédia de Toponímia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018, o nome Budens virá do baixo-latim [Villa] Budensi, «a quinta de Budenso». 

Já para outros estudiosos, o topónimo «Budens» terá vindo do Árabe «Bu Danis», que era o nome de tribo que governou Alcácer do Sal). 

Budens é uma das maiores freguesias do Concelho, abrangendo as localidades de Burgau, Salema (destinos turísticos muito procurados), Vale de Boi, Budens e Figueira.

Burgau é uma localidade, cujas referências recuam até ao Século XVI e que esteve sempre voltada para o Mar e para a atividade piscatória.

Ainda hoje, junto à sua acolhedora praia é possível depararmo-nos com embarcações tradicionais, um cabrestante (instrumento que puxava as embarcações para terra, em tempos mais recuados) e alguns experientes homens do mar remendando as suas redes.

No topo da arriba, a nascente da praia (no cimo da “Rua da Fortaleza” e junto a uma moderna unidade hoteleira) podemos observar as ruínas do velho Forte, construído a partir de 1640 e que, após o Terramoto de 1755, deu lugar a uma Bateria, artilhada, para defesa da localidade e da sua enseada. Este ponto, apesar de abandonado, proporciona uma vista extraordinária sobre um dos mais belos trechos da costa do Barlavento algarvio.

Neste importante ponto turístico de Vila do Bispo, ainda subsistem alguns aspetos tradicionais, como: interessantes habitações e toda uma série de pequenas Ruas e curiosos Becos, espalhados pela encosta onde está implantada a localidade, alguns dos quais proporcionam uma excelente panorâmica sobre o mar e as falésias circundantes, como o Cerro da Canela e a Ponta de Almádena (a oeste).

Vale de Boi (situada entre duas imponentes colinas com formações rochosas, mesmo junto à Estrada Nacional 125) é daquelas aldeias cujas origens estão envoltas num certo mistério.

Sabemos apenas que, na visita que efetuou ao Alentejo e Algarve, no longínquo ano de 1573, o Rei D. Sebastião por aqui passou, sendo saudado pela sua população e que, durante o Século XVII, aqui foi erguida a Ermida de São Lourenço – templo pequeno e interessante, voltado a ocidente e que apresenta uma curiosa pia lavrada em pedra e um notável painel de azulejos, onde está representada uma grelha, instrumento em que foi torturado e martirizado o seu padroeiro, perseguido pelas autoridades do antigo Império Romano. Porém, 

Vale de Boi já ultrapassou a sua pequenez física, sendo, na atualidade, um ponto onde a comunidade científica tem apostado em importantes investigações, reveladoras de uma interessante presença pré-histórica na zona e que já foram objeto de atenção pela prestigiada revista internacional, de divulgação científica, “National Geographic”.

Chegamos, por fim, à sede da freguesia, a aldeia de Budens, espalhada por uma encosta, sobranceira à EN 125. Sabemos que o Rei D. Dinis autorizou João Cordeiro, um morador de Lagos, a colocar ameias numa Torre que o mesmo aqui tinha edificado, para proteger a povoação (1323). É apontada, também, por alguns cronistas, a possibilidade da localidade ter sido fortificada durante o período islâmico. O que sabemos, contudo, é que na época dos Descobrimentos marítimos, empreendidos pelos Portugueses, no Século XV, alguns moradores e naturais de Budens fizeram parte das tripulações dos navios da expansão: foram os casos de Martim Lourenço, João Esteves e Vicente Esteves.

Nesta aldeia tipicamente rural, o edifício mais notável é a sua Igreja Matriz, consagrada a São Sebastião e que terá sido construída durante o Século XVI, mas que sofreu uma importante reconstrução, no reinado de D. José I, em 1762. Na fachada, destacam-se os instrumentos de martírio do padroeiro (as setas), bem como um belíssimo portal setecentista que merece uma atenta observação, tal como a sua interessante torre sineira. O interior é mais singelo. Destacam-se 2 curiosas pias manuelinas (Século XVI) e algumas imagens religiosas dos Séculos XVII, XVIII e XIX.

Sensivelmente, a meio da Rua da Casa do Povo (à direita do Largo da Igreja), encontramos uma Casa Típica, caiada e com uma barra azul, onde é possível, verificarmos alguns elementos da arte manuelina em 2 pedras lavradas, utilizadas como degraus.

Interessante, também, é um pequeno percurso, a pé, até à Praça da República, passando, depois pela escola primária e terminando na Rua das Areias de Cima, onde se destaca um belo e antigo moinho. Descendo esta rua e, atravessando (com muita cautela) a Estrada Nacional é possível apreciar uma antiga e, localmente, afamada Fonte.

Antes de deixar a localidade não deixemos de reparar nos interessantes elementos de arte funerária de fins do Século XIX e inícios do XX, existentes à entrada do Cemitério, nos jazigos ali existentes (de que destacamos o de António Viegas, com data de 1895), bem como nos memoriais de Henrique de Freitas (no ossário), Luís Viegas e Inácio de Jesus, militares falecidos nas campanhas ultramarinas da África Portuguesa (na década de 60).

Não muito longe da entrada principal da localidade (no sentido de Lagos), encontramos, isolada na paisagem, uma interessante Capela, edificada no Século XVII, em honra de Santo António, a que se acede por uma interessante escadaria.

A caminho do Sítio e da Praia da Boca do Rio, não podemos deixar de reparar nas terras, ainda agricultadas, em várias Noras (e respetivos engenhos) e até sermos surpreendidos por alguns rebanhos ou manadas de gado caprino e bovino.

Na Boca do Rio, um dos mais interessantes locais do Município, cruzam-se 3 ribeiras (Budens, Vale de Boi e Vale Barão). Aqui se cultivou arroz, aqui se vinha lavar roupa, aqui se trabalhou arduamente na lavoura em tempos não muito distantes e aqui, obviamente, se ia a banhos. Hoje, restam as ruínas dessas memórias, apertadas entre 3 imponentes cerros e o mar. Junto à sua praia, encontram-se construções do Século XVIII, pertencentes à Real Companhia das Pescarias do Algarve, dentro das quais se encontra um interessante Balneário romano. E por falar em Romanos, esta industriosa civilização deixou-nos aqui (volvidos 2000 anos) importantes vestígios, ainda hoje observáveis no areal ou junto às arribas, a poente. Não menos interessantes, são as ruínas, situadas do outro lado da ribeira que desagua na praia, de estruturas que a tradição local indica serem religiosas, dedicadas a Santa Elisabete e construídas na época medieval.

No alto da arriba, a nascente do acolhedor areal, encontra-se edificada, desde 1632, uma das mais importantes fortificações desta costa: o Forte de São Luís de Almádena, que, no Século XVIII, chegou a estar artilhado com 3 canhões e guarnecido por 4 ou 6 soldados. Foi abandonado, militarmente, em 1861.

Salema é a localidade que se segue, a poente. Não conhecemos exatamente quando surgiu, mas sabemos que foram as gentes do mar (já os Romanos aqui edificaram tanques de salga de peixe, junto à praia), do Concelho e de fora dele que a construíram, procurando lugar para trabalhar nas armações de pesca existentes nas imediações. Mas, se foi vivendo da pesca e da agricultura, em simultâneo, hoje é um ponto turístico por excelência.

A nível patrimonial, recomendamos a subida da Rua dos Pescadores (onde, sensivelmente, a meio, a seguir à Rua da Alegria, é possível observarmos, em bom estado, um antigo fontanário público), onde todas as pequenas travessas se dirigem para o mar e o percurso, seguindo a estrada, que passa por detrás da localidade, entre amendoeiras, figueiras, vegetação rasteira e vestígios de outros tempos, como fornos, eiras e pequenas estruturas agrícolas.

A sua praia esconde agradáveis surpresas, como 2 importantes trilhos com milhões de anos e pegadas de dinossauros (carnívoros, no caso da laje da Lomba das Pias – a nascente, e um herbívoro, numa laje situada sob a arriba, onde se situa a Escola Primária da localidade, a poente), além de interessantes embarcações típicas e de um curioso ambiente de terra de pescadores. Porém, é nas águas do mar, entre a Salema e a Boca do Rio, que estão mergulhadas memórias de uma das maiores batalhas navais da história, travada entre ingleses e franceses, em Agosto de 1759. Aqui foi afundado o navio-almirante da esquadra francesa, com 80 canhões, o imponente L'Océan.

Figueira (cuja designação se reportará certamente à grande quantidade de árvores de fruto deste tipo existente na zona) é o nosso próximo ponto de paragem, rumo ao ocidente. Esta localidade, cujas origens remontam à época medieval (uma vez que há referências à sua existência em 1374), apresenta uma paisagem marcadamente rural, cercada por cerros e pontuada por terras cultivadas e vários moinhos de vento (ou vestígios deles). Vale a pena percorrer as suas ruas e observar algum casario típico, passar pelo seu templo contemporâneo, dedicado a Nossa Senhora de Fátima, pela sua antiga Escola e seguir o caminho em direção à Praia da Figueira, por entre uma paisagem, hortas agrícolas e formações rochosas de grande interesse. No areal desagua uma ribeira e, no alto da arriba, do lado nascente, sobressaem as ruínas do antigo Forte de Vera Cruz da Figueira, construído durante a época da Restauração (ou seja, depois do ano de 1640). Dispôs de duas baterias (uma alta e uma baixa) para a sua artilharia (4 canhões, em 1765) e, tal como aconteceu com quase todas as fortificações desta costa, foi perdendo valor militar após a Guerra Civil, de 1832-34. Chegou a ter uma guarnição composta por 1 oficial, 2 soldados de Infantaria e 2 de Artilharia (1792).

Voltando à aldeia, no centro, junto à estrada, existe um pequeno monumento, em pedra, com uma lápide e placa interpretativa, evocativa de um episódio ocorrido junto à localidade (e que envolveu a comunidade) a 4 de Maio de 1670. Tratou-se de uma incursão de piratas norteafricanos, que tentaram saquear a localidade, mas que foram detidos no decorrer de um aguerrido combate travado (muito provavelmente) junto à Praia das Furnas, onde se distinguiram alguns locais, liderados pelo Capitão Afonso Telo.

Saindo da localidade, e tomando o caminho da Praia das Furnas e não muito longe do Sítio da Barradinha, é possível contemplarmos um dos mais interessantes pontos arqueológicos do Concelho: uma pequena necrópole, composta por duas sepulturas, com lajes de pedra ruiva (Séculos X-IX a.C.), situando-se nas suas imediações um fragmento considerável de 1 menir (IV-III milénios a.C.). Nesta zona foi descoberta uma estela (possivelmente funerária) evocativa de um (provavelmente) guerreiro, visitável ao público no Museu Regional de Lagos. 



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